quinta-feira, 17 de março de 2011

Para comentar, tradução do anúncio "The Age of Discovery" da Seiko (por Ana Viegas)


A ERA DAS DESCOBERTAS

A Seiko relembra as façanhas eternas

Gigantescos monstros marinhos. Semana após semana em alto mar sem avistar terra. E o medo constante de navegar por onde o mar se acaba. Um breve exemplo das dificuldades e receios que os navegadores de séculos passados enfrentaram.
Hoje, a Seiko celebra a coragem destes navegadores com o relógio de calendário perpétuo. Um atraente desenho cartográfico na face do relógio é complementado pela gravura de uma embarcação no verso. Mediante este inteligente CPU-IC, o calendário fornece as datas e os dias da semana de 1400 a 2499 a. C, um período de 1100 anos, de longe o maior espaço de tempo coberto por um relógio-calendário. Ao oferecer-lhe o passado, o presente e o futuro num único relógio, a tecnologia Seiko antevê uma nova e promissora era de exploração.
Viva de novo a Era das Descobertas e viae de encontro ao futuro, com Seiko.

SEIKO
Patrocinador Oficial de 2ª Edição dos Jogos Olímpicos
 

Universais de Tradução (powerpoint)




Normas de Tradução (powerpoint)

quarta-feira, 16 de março de 2011

Comparação anúncio "The Age of Discovery" / "La Era del Descubrimiento" (Baubeta 1995)

Actualmente, muitos são os países que aceitam publicidade de alta qualidade produzida noutro país, como é o caso da publicidade da Seiko, empresa japonesa que exportou para o mundo o tema “The Age of Discovery”, relembrando a Era das Descobertas.
Na análise dos subtítulos dos anúncios, Baubeta salienta o facto de a versão inglesa usar o artigo definido (“Seiko recalls the heroic deeds that live in perpetuity”), particularizando as acções heróicas, ao passo que a versão espanhola é menos específica e, ao omitir este artigo, não esclarece quais as acções que estão a ser relembradas. Também se verifica o uso da estratégia sintáctica de mudança do tipo de unidade nos seguintes excertos: “heroic deeds” é traduzido por “gestas”, sendo o complemento directo no texto espanhol realizado por um substantivo (em lugar do sintagma de modificador + nome) que transmite  acções heróicas e/ou conquistas épicas e está associado aos “cantares de gesta” medievais; e a oração relativa “that live in perpetuity” é traduzida pelo modificador “inmortales”, adjectivo que permite o uso de uma única linha como subtítulo, centrando-o.
Outra diferença é a preferência da língua inglesa pelo uso de frases passivas “Today, these people’s courage is celebrated”, e da língua espanhola pelo uso de frases activas “Hoy, Seiko celebra el coraje de aquellos navegantes”, estratégia sintáctica de mudança de estrutura oracional (a autora defende que se tivesse sido mantida a passiva, a marca Seiko teria desaparecido, pelo que a voz activa, além de topicalizar a marca, ainda a aproxima de “Hoy”, realçando a sua modernidade). Finalmente, a transposição (estratégia sintáctica), presente em “Sea monsters one hundred metres long”, cujo complemento adjectival é transposto para um adjectivo pronominal em “Colosales monstruos marinos”, reflecte uma estratégia semântica de hiperonímia (num estilo também hiperbólico) em detrimento da medida métrica.
O passo “By bringing you the past, present and future, in one watch, Seiko technology foretells a promising new era of exploitation” é traduzido por “Poniendo el pasado, el presente y el futuro en un reloj, la tecnología Seiko nos adelanta una nueva e prometedora época de exploración y descubrimientos”. Enquanto a versão inglesa usa a 2ª pessoa do singular – o consumidor, a versão espanhola prefere a 1ª pessoa do plural. Quanto ao uso de metáforas, ambas versões são bem sucedidas, porque, apesar de ser lógico não se poder colocar o passado, o presente e o futuro num relógio, estes tempos são dados pela gravura no verso, pela possibilidade de comprar, ou não, o relógio, e pelo desenvolvimento tecnológico que ainda está para vir. Ainda, no que concerne à tecnologia, a versão inglesa mostra a tecnologia Seiko como a tecnologia, enquanto na versão espanhola o artigo definido “la” individualiza e particulariza, função reforçada pelo adjectivo (pois, aqui, Seiko aparece como qualificador da tecnologia). Finalmente, verifica-se o uso de metonímia nas duas versões, em que o relógio representa a empresa com todas as suas pesquisas e avanços tecnológicos; aliás, a versão espanhola vai mais longe com a escolha do verbo “adelanta”, cujo significado se relaciona com “una nueva e prometedora época” e com “el futuro”, e com o acrescento de “Descubrimiento”, criando coesão com o título.
É de salientar o uso da forma de tratamento informal de 2ª pessoa – , que considero correcta, já que o povo espanhol prefere esta forma de tratamento em praticamente todas as circunstâncias e os verbos “vuelve” e “aventúrate” ainda pedem acção): é a glória do passado e os riscos e entusiasmo do futuro.
Ana Margarida Viegas 41216

Universais da Tradução (Baker 1998)

Os Universais de Tradução são características linguísticas que ocorrem tipicamente em textos traduzidos (TC). Baker (1993:243) afirma que estes são independentes da especificidade das línguas do par no processo de tradução. Assim sendo, os universais de tradução consistem em seis características comuns nos textos traduzidos, que são as seguintes:
1) Simplificação,
2) evitar repetições do texto de partida (TP),
3) explicitação,
4) normalização,
5) empréstimo (transferência discursiva) e
6) distribuição lexical distinta.

A simplificação lexical é o processo e/ou resultado da redução de palavras, manifestando-se em seis tipos de operações
 1) uso de hiperónimos quando não existem hipónimos na língua de chegada (LC); 
 2) conceitos do texto de partida expressos por aproximação
 3) uso de sinónimos familiares ou comuns; 
  4) transferência de todas as funções de uma língua de partida para o seu equivalente na língua de chegada; 
5) o uso de expressões próximas em vez de expressões traduzidas “à letra” e, por último, 
 6) uso de paráfrase onde existem falhas culturais entre a língua de partida e de chegada. A nível sintáctico
Vanderauwera (1985) refere, ao nível sintáctico, a simplifiação de construções complexas, com substituição de orações finitas por não finitas, e alteração da ordem de orações intercalares.   
No que diz respeito ao nível estilístico, identifica-se a tendência para se abreviarem frases longas, reduzindo ou omitindo repetições e informação redundante e encurtando informação desnecessária.
No que diz respeito ao universal de explicitação, Baker refere exemlos de tradutores que acrescentam informação para ultrapassar barreiras culturais entre os textos de partida e de chegada.
Quanto à normalização, há que atentar na lei da padronização crescente de Toury, segundo a qual as relações textuais do TP são comumente substituídas por relações convencionais no TC.  O bilinguísmo, a idade, o conhecimento e experiência do tradutor, assim como a importância da tradução no contexto cultural poderão influenciar como actua a lei. Toury propõe ainda a seguinte tendência dessa lei: “quanto mais periféricos o estatuto da tradução numa determinada cultura, mais a tradução será ajustada aos modelos e repertórios estabelecidos” (Toury, 1995: 271).
        O universal da transferência discursiva diz respeito às intromissões modelares das construções textuais de partida no texto de chegada, dependendo igualmente da experiência profissional do tradutor e do contexto sócio-cultural em que este se encontra.

Filipe Leite, Inês Sequeira e Manon Stroobandt

domingo, 13 de março de 2011

Análise dos anúncios Coca Cola For Everyone Brasil e Coke For Everyone Around The World


Ao analisar a tradução do anúncio televisivo “Coca Cola For Everyone Around The World” verifica-se uma diferença na duração desse primeiro vídeo e da sua tradução na versão brasileira. Tal pode-se explicar pelo uso das estratégias pragmáticas indicadas por Chesterman e Wagner, entre as quais a de mudança de nível de explicitação; neste caso é usada a implicitação, pois na versão brasileira omite-se informação do primeiro que o público-alvo pode facilmente inferir e ambas as culturas estão familiarizadas com as unidades exibidas.
Em relação ao uso das estratégias sintácticas e semânticas descritas pelo autor, é usada a mudança de unidade, pelo que a unidade “Para os originais”, que no primeiro vídeo aparece a meio, na versão brasileira aparece no fim, podendo estar a destacar algo com essa mudança de organização de unidades, visto que o objectivo desta publicidade é destacar algo positivo acerca do produto. A nível de estratégias semânticas há uma mudança de hiponímia, pois a unidade “For those who love you / For those who love you not / For those who love you a little / For those who love you a lot” desempenha uma relação de hiponímia em relação à unidade do segundo vídeo “Para os que te querem / Para os que não te querem” (embora esta última unidade apareça também no primeiro vídeo, no segundo é apenas essa que aparece e não todas as outras nas várias línguas).
Em termos de elementos não verbais, há uma alteração na sequência cronológica das imagens, talvez para colocar o que se considera mais importante em destaque. Em termos fonológicos, na versão brasileira o ritmo sonoro é constante, a voz é calma e fala com clareza e na versão de partida argentina, nos frames em que se mencionam aspectos mais negativos, o nível de entoação muda para um tom mais grave, solene, para assinalar o tipo de situação representada, e nos nos restantes frames o tom é mais vivo, alegre e nítido.
Existem também semelhanças a nível da escolha das unidades apresentadas nos dois vídeos. As unidades seleccionadas na versão “Coca-cola for Everyone Cosmopolita” comuns à versão brasileira são: “Para os românticos”, “Para os magros, para os gordos, para os altos, para os baixos”, “Para os que te querem, para os que não te querem”, “Para os palhaços”, “Para os educados”, “Para os que riem”, “Para os que jogam”; as unidades diferentes nesta última versão são a do fim, em que estão seguidas as unidades “Para os originais, para nós, para todos”, “Para os que trabalham”, “Para os músicos”, “Para os astronautas”, entre outros.
Reflectindo sobre a versão de Propaganda Recombinante Coca Cola, esta destaca os principais problemas existentes hoje em dia na sociedade, como as doenças, os vícios, as dificuldades físicas existentes em certas idades, procurando chamar a atenção para a realidade e relacionando-a com a publicidade da coca-cola; realça, assim, o nome da campanha “coca cola for everyone” ao abordar os temas no anúncio. Porém, a gravação da voz e a sua entoação não correspondem ao tema da mensagem. Tal acontece para chamar a atenção para a gravidade tratada no anúncio, já que este foca os problemas existentes na sociedade, que causam mais controvérsia hoje em dia.
(no vídeo, a recente versão portuguesa)
Trabalho de Joana Silva e Bruno Matos

quarta-feira, 9 de março de 2011

Análise dos anúncios Coca Cola for Everyone Collection e Cosmopolita

A tradução do anúncio publicitário “Coca-Cola for everyone”, originalmente produzido na Argentina em língua Inglesa, para diferentes línguas e culturas, origina vários tipos de problemas, nomeadamente textuais. A abordagem à sua resolução passa pelo recurso a um conjunto de estratégias: sintáticas, semânticas e, sobretudo, neste caso, pragmáticas. Tendo sempre como base o anúncio original, podemos observar nos restantes anúncios (Filipinas, Malásia, Tailândia, Bulgária, Rússia, Dinamarca, e Noruega) variados exemplos de filtragem cultural. A mais recorrente das estratégias de filtragem cultural é a adaptação do texto à CC, que ocorre a nível verbal e visual. No caso específico da Tailândia existem duas versões do anúncio. Uma mais fiel ao anúncio de partida e outra cujo público-alvo será mais jovem (referências a Hip-Hop e Breakdance, entre outras), dentro da mesma CC.
Nos anúncios em que nos foi possível fazer uma análise completa da tradução (Argentino v2, Filipino e Malaio) podemos identificar:
a-    Uma unidade visual que surge apenas numa das Línguas/Culturas: No anúncio malaio, a alusão à religião Muçulmana, através do uso da imagem de um selo presente numa embalagem local do produto e da utilização da mensagem verbal “For our brothers”;
b-    “Frames” em que a mesma imagem é utilizada em mais de uma Língua/Cultura e com transmissão de uma mensagem verbal diferente: utilização da mesma imagem (selo de reciclável) nos anúncios Argentino, Filipino e Malaio com as mensagens “Para los responsables”, “For the neat” e “For our children”, respectivamente;
c-    “Frames” em que uma mesma mensagem verbal ocorre em duas Línguas/Culturas diferentes, associadas a imagens díspares: a mensagem “for the optimistic” nos anúncios de partida e malaio, através das imagens [garrafa meio cheia] e [caractere que simboliza o optimismo], respectivamente;
d-    “Os Frames” mais comuns a todos os anúncios e as diferenças mais flagrantes de tradução nas mensagens idênticas que veiculam:
1-    O uso de uma imagem de uma garrafa que se assemelha a um disco de vinil com a mensagem “For musicians” e “For the DJ”, noutras versões – Estratégia Pragmática, mudança de Informação;
2-    O uso da lenga-lenga “Mal me quer, bem me quer”, nas suas diferentes versões, dependentes da CC, com a imagem de latas assemelhando-se a uma flor – Estratégia Pragmática, filtragem Cultural
3-    O uso de imagens de diferentes garrafas do produto com mensagem de gordo, magro, alto e baixo, presente em todos os anúncios, sem excepção. No anúncio malaio são alteradas as palavras para obter um melhor ritmo e rima: “For the short, for the tall, for the big, for the small” em vez de “For the fat, for the skinny, for the tall, for the short” – Estratégia sintáctica, mudança de esquema retórico
4-    A referência, através de imagem, a cada país de chegada, com veiculação de mensagem diferente: “For the ones who were here”, “For country” e “For our home” – Estratégia semântica, paráfrase.
É importante referir também que existem outras estratégias pragmáticas, nomeadamente mudanças de dialecto, tanto no anúncio filipino (sequência mal me quer, bem me quer em língua inglesa), como no anúncio malaio (recurso à língua local em algumas passagens do anúncio).
O anúncio “Coca-Cola for everyone” cosmopolita é composto por compilações da mesma mensagem e imagem nas diferentes versões do anúncio para as diferentes línguas e culturas. As sequências mais recorrentes vão de encontro ao acima notado, sendo, por isso, a sua selecção justificada e eficaz, na medida em que é composto, essencialmente, por conceitos universais, reproduzidos em cada uma das diferentes línguas: o amor, a pátria, e características físicas dos humanos.
Gustavo Pinheiro de Lima
Mário Araújo